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		<title>♪ &#124; Provincial &#124; John K. Samson</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 15:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[John K. Samson]]></category>
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		<description><![CDATA[No episódio de ontem, quando falei sobre o disco novo do Lambchop, tentei (sem sucesso, acho) descrever um som que &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/27/%e2%99%aa-provincial-john-k-samson/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=7004&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-7005" title="provincial" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/provincial.jpg?w=500" alt=""   />No episódio de ontem, quando falei sobre <a href="http://superoito.com/2012/01/26/%E2%99%AA-mr-m-lambchop/" target="_blank">o disco novo do Lambchop</a>, tentei (sem sucesso, acho) descrever um som que remete a um livro elegante de crônicas sobre o cotidiano e as responsabilidades de um homem adulto. Este primeiro álbum solo do canadense John K. Samson — líder da banda de folk punk The Weakerthans — também soa como um apanhado de impressões sobre o dia a dia. Mas com uma diferença importante: enquanto o Lambchop vem afinando uma sonoridade que tenta se colocar à altura dos temas das músicas, as anotações de Samson ainda soam informais, sem estilo ou tanto rigor; <em>Provincial</em> não é um livro, mas uma coleção de <em>post-its</em> sobre certos assuntos, paisagens e situações.</p>
<p>O compositor organiza as canções no disco como quem espalha polaroides na cama: o álbum é simplesmente um apanhado de canções já gravadas (e lançadas em dois EPs) com algumas músicas novas. Nos identificamos com Samson porque ele é o boa-praça, o chapa, o sujeito comum que talvez tenha ouvido muito Elliott Smith, Big Star, Neil Young (fase <em>Harvest Moon</em>) e R.E.M.. <em>One of us, one of us</em>.</p>
<p>Nada disso impede <em>Provincial</em> de nos ganhar com alguns cliques adoráveis da vida como ela é (especialmente na província de Manitoba, onde o músico vive): em <a href="http://www.youtube.com/watch?v=_S5UpGx6470" target="_blank">When I Write my Master’s Thesis</a>, ele conta a história de um estudante que, aflito, tenta se manter saudável enquanto escreve a tese de mestrado. Em outro momento, entra na campanha para levar o jogador Reggie Leach ao Hall da Fama do Hockey (ah, as grandes causas!). E tem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=BYA51ukBZAA" target="_blank">Cruise Night</a>, que encena com euforia power pop o passeio (desimportante) do narrador, no carro do irmão, num domingo igual aos outros. Banal, certo? Também muito agradável.</p>
<p><span style="color:#800000;">Primeiro disco solo de John K. Samson. 12 faixas com produção do próprio músico. Lançamento ANTI- Records. <strong>B</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/7004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/7004/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=7004&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>♪ &#124; Mr. M &#124; Lambchop</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 19:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Kurt Wagner]]></category>
		<category><![CDATA[Lambchop]]></category>
		<category><![CDATA[Mr M]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém vai levar como ofensa (talvez nem a própria banda) se você afirmar que o Lambchop grava sempre o mesmo &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/26/%e2%99%aa-mr-m-lambchop/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6977&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-6978" title="lambchopcapa" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/lambchopcapa.jpg?w=500" alt=""   />Ninguém vai levar como ofensa (talvez nem a própria banda) se você afirmar que o Lambchop grava sempre o mesmo disco. Será, é claro, uma generalização. Mas não muito absurda, principalmente quando se fala numa fase que começou em 2002 (com <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Is_a_Woman" target="_blank">Is a Woman</a>) e segue imperturbável há uma década, cingindo um céu aberto e tranquilo.</p>
<p>Nenhum dos discos do Lambchop pós-<em>Is a Woman</em> contém os desafios de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nixon_%28album%29" target="_blank">Nixon</a> (2002), que acabou representando um período de transição para o grupo de Nashville. O álbum capta um momento de experimentação, quando eles tentavam, já fora da fazendinha do &#8220;country alternativo&#8221; e combinar certas referências de <em>soul music</em>, <em>country</em>, <em>jazz</em>, <em>gospel</em> e <em>lounge</em>. A aventura modificou a banda quase por completo. Compreensível: se eu ainda não me recuperei da porrada de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pbNVx9Y28rk" target="_blank">Up with People</a> &#8211; que é uma obra-prima -, imagino que essas e outras invenções tenham sequelado a banda.</p>
<p>No disco seguinte, o Lambchop definiu um modelo sonoro que, hoje em dia, provoca preguiça até na própria gravadora. A <a href="http://www.mergerecords.com/store/store_detail.php?catalog_id=834" target="_blank">Merge Records </a>descreve esse modus operandi da seguinte forma: “como nos discos anteriores, muitas das canções de <em>Mr. M</em> são emolduradas por cordas exuberantes, e existe uma camada contida de distorção e dissonância; o centro da música ainda está no movimento cíclico da guitarra de Kurt Wagner e o coaxar suave e caloroso de sua voz.” Não deixa de ser um resumo fiel do disco, mas que parece apontar para palavras como estagnação e comodismo. É isso? O <em>mesmo disco</em>, mais uma vez?</p>
<p>Acho que sim e que não. Sim porque, vamos ser honestos, só consigo ouvir em <em>Mr. M</em> (e no anterior, <em>Ohio</em>) o lentíssimo polimento de um estilo que talvez esteja precisando mesmo de uma chacoalhada. Mas não, porque este parece ser o disco que Kurt Wagner sempre quis gravar: um álbum que <em>soa</em> como um dia comum, um elogio <em>en passant</em> ao cotidiano; moroso porque, entre outras coisas, a vida às vezes é assim mesmo. E não é de hoje que o Lambchop tenta sonorizar situações comezinhas (nem por isso pouco tristes, melancólicas, tocantes), geralmente observando a rotina do casamento, das relações de amizade e da família. Esse olhar ainda tem seu encanto.</p>
<p>Quem chega pela primeira vez à banda pode se convencer de que é um projeto tedioso: as canções são quase sempre longas e parecidas umas com as outras, com sutilezas que exigem muitas audições e <em>insights</em> literários que talvez não despertem paixões em muita gente. O humor da faixa <em>2B2</em>, uma canção absolutamente realista sobre a vida a dois, é discreto demais para chamar a atenção. E as instrumentais <em>Gar</em> e <em>Betty’s Overture</em> são lindas e perfeitas como peças de porcelana: cheias de detalhes que devem ser admirados à distância. No mais, o disco faz anotações sobre a vida adulta por um viés que não tem absolutamente nada de juvenil. Não é fácil, não é fofo, não coloca ninguém pra dançar, não fica borbulhando ideias.</p>
<p>É um som quase <em>ambiente</em>, que faz ainda mais sentido numa dessas manhãs serenas de domingo, quando o que nos resta é uma sucessão de pequenos eventos banais. O <em>mesmo domingo</em>. Kurt Wagner ainda é capaz de olhar para essa paisagem silenciosa (que pode ser bonita ou terrível, ou as duas coisas) e encontrar aí um mistério, e uma razão para compor.</p>
<p><span style="color:#800000;">Décimo primeiro disco do Lambchop. 11 faixas, com produção da própria banda. Lançamento Merge Records. <strong>B</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6977/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6977/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6977&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>♪ &#124; Patience (After Sebald) &#124; The Caretaker</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 12:47:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
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		<category><![CDATA[Leyland Kirby]]></category>
		<category><![CDATA[Os anéis de Saturno]]></category>
		<category><![CDATA[Patience (After Sebald)]]></category>
		<category><![CDATA[The Caretaker]]></category>
		<category><![CDATA[W.G. Sebald]]></category>

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		<description><![CDATA[No livro Os anéis de Saturno, de 1995, o escritor alemão W.G Sebald narra as lembranças de um homem que &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/25/%e2%99%aa-patience-after-sebald-the-caretaker/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6968&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-6969" title="caretakercapa" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/caretakercapa.jpg?w=500" alt=""   />No livro <a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12161" target="_blank">Os anéis de Saturno</a>, de 1995, o escritor alemão W.G Sebald narra as lembranças de um homem que está internado em um hospital, imóvel, preso a uma cama. A condição física do personagem determina o tom do texto: enquanto relata a caminhada que fez em East Anglia, na região leste da Inglaterra, o narrador oscila entre a tentativa de engaiolar memórias e o desalento provocado pela degradação do próprio corpo. A viagem mental do protagonista se torna, por isso, uma história de escapismo — e, por fim, uma ilusão trágica.</p>
<p>O cineasta Grant Gee, de documentários como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0195909/" target="_blank">Meeting People is Easy</a> (do Radiohead) e <a href="http://www.imdb.com/title/tt1097239/" target="_blank">Joy Division</a>, entendeu que não seria possível acenar para esse romance de uma maneira direta — a trama, afinal, nada mais é do que um delírio. Ainda não vi o filme, mas a trilha sonora do doc <a href="http://www.guardian.co.uk/film/2011/jan/25/wg-sebald-suffolk-walk" target="_blank">Patience (After Sebald)</a> indica, ao menos, que ele saiu à procura de sons que comunicassem algo sobre o estranho fluxo de pensamentos do narrador/escritor &#8211; o longa remonta o trajeto que o próprio Sebald fez e, em seguida, recriou no livro. Nada mais coerente, portanto, que convidar Leyland Kirby para compor a música do filme — no The Caretaker, o músico também tenta sonorizar processos cerebrais, recriando com samplers, ruídos, ecos e outros efeitos desconcertantes o jeito desconexo como a nossa mente engatilha as lembranças.</p>
<p>Uma das referências principais do Caretaker é a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MPtHNIUYlvY" target="_blank">cena de baile do filme O Iluminado</a> — que resume a atmosfera de nostalgia fantasmagórica que encontramos em discos como <a href="http://superoito.com/tag/en-empty-bliss-beyond-this-world/" target="_blank">An Empty Bliss Beyond this World</a>, um dos meus preferidos do ano passado. Mas ninguém que o conhece acharia absurdo se Kirby confesasse que o livro de Sebald também o influenciou. A música do compositor parece, ela própria, existir num estado em as sensações se tornam confusas, como cartas embaralhadas. Uma faixa do Caretaker pode provocar, a um só tempo, a impressão de ser profundamente melancólica, delicada e assustadora. É o que acontece quando estamos sonhando: perdemos o controle da atividade mental.</p>
<p>A trilha de <em>Patience</em>, escrita antes de <em>An Empty Bliss</em>, simula esse transe sentimental de uma forma muito direta, até (digamos) óbvia, e talvez por isso não me perturbe tanto quanto o álbum anterior do Caretaker. Praticamente todas as faixas são formadas por duas camadas: samplers melodiosos de piano (Schubert, 1927) sobrepostos a uma neblina de distorção, que soa como o ruído enervante de uma rádio fora de sintonia. Está descrita, nesse puzzle sonoro, a agonia do narrador, que vai catar as boas memórias no fundo de uma espécie de lodo existencial. Como costuma acontecer, os títulos das faixas de Kirby nos guiam como lanternas: uma delas atende por (brr) <em>In the Deep and Dark Hours of the Night</em>.</p>
<p>O disco não provoca o espanto de <em>An Empty Bliss Beyond this World</em>, que criava um jogo impressionante de repetições e surpresas dentro de cada faixa. Mas talvez devamos nos contentar com o fato (formidável) de que, aqui, Kirby preferiu simplesmente <em>estudar</em> o livro de Sebald. E, como se arrematasse apenas um trabalho encomendado, ele nos transporta novamente a um ambiente abstrato, insólito, indescritível, lindo e horrível, que a arte tem o poder de alcançar.</p>
<p><span style="color:#800000;">Disco do The Caretaker. 12 faixas, com produção de Leyland Kirby. Lançamento History Always Favours the Winners. <strong>B+</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6968/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6968&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>cine &#124; Sherlock Holmes: o jogo de sombras</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 13:27:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Ritchie]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Downey Jr]]></category>
		<category><![CDATA[Sherlock Holmes: o jogo das sombras]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta continuação de Jogos, Trapaças e Sherlock Holmes é um parque temático para meninos em descontrole hormonal. Com decoração retrô, &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/24/cine-sherlock-holmes-o-jogo-de-sombras/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6961&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6962" title="" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/sherlock_holmes_2_still.jpg?w=500&#038;h=281" alt="" width="500" height="281" /></p>
<p>Esta continuação de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0988045/" target="_blank">Jogos, Trapaças e Sherlock Holmes</a> é um parque temático para meninos em descontrole hormonal. Com decoração retrô, cinco montanhas-russas, show pirotécnico, performance de stand-up comedy e funcionários fantasiados com figurinos pesadões de época, este espetáculo de <em>imagem&amp;ruído</em> talvez resuma o cinema-maçaranduba de Guy Ritchie, um cineasta que usa qualquer projeto como desculpa para filmar os <em>mais eletrizantes</em> anúncios de energético.</p>
<p>O diretor facilita, dessa forma, o trabalho de qualquer crítico de cinema. Já que, para escrever sobre <em>Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras</em>, não é necessário conhecer (ou pesquisar) nadica sobre a obra de Arthur Conan Doyle. Até porque o próprio Ritchie não parece ter a conhecimento algum sobre o personagem que está adaptando: como acontecia no episódio anterior, o detetive é transformado num típico veículo para o Robert Downey Jr pós-<a href="http://www.imdb.com/title/tt0371746/" target="_blank">Homem de Ferro</a> — um <em>action hero</em> bronco, sarcástico, de maus modos, espírito <em>keithrichardiano</em> e que parece sempre estar fazendo graça de tudo (nos melhores momentos, do próprio filme). Tudo o que havia de particular (e de elegante; mas Ritchie não conhece essa palavra,<em> for sure</em>) no tipão inventado por Doyle é massacrado em mil pedacinhos fumegantes.</p>
<p>Existe um público com sangue nos olhos por esse Hopi Hari audiovisual, é claro. Na sessão em que vi o filme, as pessoas aparentemente conseguiram acompanhar uma trama de mistério (?) que me pareceu quase incompreensível — ela se movimenta como um jato em queda, soltando placas de metal, pegando fogo e fazendo muito barulho. Quando o filme puxa o freio, o faz para Ritchie demonstrar aquilo que ele chama de estilo: sequências supostamente bonitas, que alternam cenas em câmera lentíssima com flashes acelerados. Eu, que não me dou muito bem com montanha-russa, admito que fiquei um pouco enjoado.</p>
<p><span style="color:#800000;">(Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011) De Guy Ritchie. Com Robert Downey Jr, Jude Law e Jared Harris. <strong>D+</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6961/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6961/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6961&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>♪ &#124; Tramp &#124; Sharon Van Etten</title>
		<link>http://superoito.com/2012/01/23/%e2%99%aa-tramp-sharon-van-etten/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 18:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Sharon Van Etten]]></category>
		<category><![CDATA[The National]]></category>
		<category><![CDATA[Tramp]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você quiser, Tramp pode ser um disco muito simples. Ele conta a seguinte história: num período de 14 meses, &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/23/%e2%99%aa-tramp-sharon-van-etten/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6952&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-6953" title="sharon" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/sharon.jpg?w=500" alt=""   />Se você quiser, <em>Tramp</em> pode ser um disco muito simples.</p>
<p>Ele conta a seguinte história: num período de 14 meses, Sharon Van Etten viveu em Nova York sem residência fixa. Era obrigada, a todo momento, a fazer malas e se mudar para a casa de um ou outro conhecido. O alento da compositora era estúdio caseiro de Aaron Dessner, guitarrista do The National, onde ela gravou algumas canções — lá, se sentiu em casa. Às vezes, amigos como Matt Barrick (Walkmen), Zach Condon (Beirut) e Julianna Barwick acabavam aparecendo.</p>
<p>Nada extraordinário nisso. Músicos gravam. Músicos têm amigos. Músicos, principalmente os independentes, às vezes não têm onde morar.</p>
<p>Mas o contexto do disco, que está muito bem resumido neste <a href="http://jagjaguwar.com/onesheet.php?cat=JAG201" target="_blank">texto de divulgação da gravadora Jagjaguwar</a>, não me parece desimportante: o álbum pode ganhar uma série de conotações quando descobrimos que foi gravado nos raros momentos estáveis de um período que, para Sharon, foi de total instabilidade.</p>
<p>Ainda que essa história-de-bastidor não esclareça muitos dos mistérios das canções (e são daquelas músicas que se tornam mais profundas a cada audição), ela talvez explique por que consegue soar, ao mesmo tempo, convidativo e extremamente tenso. A gravação, dirigida por Dessner, é controlada, tranquila; mas as canções estão sempre explodindo em aflição.</p>
<p>Sem querer interpretar o disco além da medida (mas já <em>superinterpretando</em>, me perdoem): desconfio que, para Sharon, o estúdio de Dessner tenha funcionado como um espaço neutro, seguro, para a contemplação das próprias incertezas — um lugar onde ela organizava as impressões do dia-a-dia, como quem revisa os textos de um diário, pouco antes de dormir. <em>Tramp</em> medita sobre o ritmo de uma vida em fluxo, mas não soa simplesmente desamarrado. É, ao contrário, um disco muito forte de afirmação, sobre procurar um lugar no mundo, sobre mudar e crescer.</p>
<p>Esse processo pode ser especialmente complicado, perceba, se você é uma compositora que tenta se fazer notar em meio a uma multidão de cantoras hipersensíveis e supervalentes. Sharon sai perdendo por não ter nenhum truque extravagante à mão (e, perto de Zola Jesus, ela é a mais conservadora das <em>songwriters</em>), e escrever canções que poderiam ser facilmente creditadas ao repertório de uma Feist (nos momentos de maior aspereza, principalmente do disco mais recente). É por isso que <em>Tramp</em> também pode ser um álbum muito difícil: é preciso alguma paciência para notar o que há de particular no temperamento e na arte de Sharon.</p>
<p>E é quando se consegue essa aproximação que o efeito do disco se torna irresistível. Música a música, com um kit de lentes mais generoso do que os equipamentos usados nos dois discos anteriores, é como se Sharon estivesse criando curtas-metragens para representar determinadas situações/sensações — sequências densas, sem muitos encantos imediatos, que vão se abrindo aos nossos ouvidos a cada reprise. Não há minuto perdido, e poucas são as cenas que se repetem. É até emocionante como ela salta de uma canção mais irritadiça (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=hYgyQ20TJAs" target="_blank">Serpents</a>) para uma balada escrita quase como uma canção de ninar, com sílabas alongadas e coro angelical (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=VdCgOJ8BUQA" target="_blank">Kevin’s</a>). Neste álbum, está claro que ela teve direito ao corte final.</p>
<p>Pelo menos duas canções me parecem eternas, e já estão muito bem acomodadas na minha lista de melhores do ano: a primeira, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9dknaU3zWEM" target="_blank">Give Out</a>, transforma as impressões de êxodo, que a cantora conhece bem, numa love song das mais tocantes (No refrão, ela canta: “você é a razão por que eu vou mudar de cidade/ou por que não vou partir”); a outra, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=gwU7Nw6K1Pg" target="_blank">I’m Wrong</a>, começa com uma linha árida de guitarra, que vai ganhando ecos e os efeitos de um jingle natalino .“É ruim acreditar em todas as canções que você canta”, ela repete, e repete, até se deixar soterrar pelo torvelinho de melodia.</p>
<p>E é nesses momentos que, se você quiser, <em>Tramp</em> pode ser o disco mais bonito do mundo.</p>
<p><span style="color:#800000;">Terceiro disco de Sharon Van Etten. 12 faixas, com produção de Aaron Dessner. Lançamento Jagjaguwar Records. <strong>A</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6952/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6952/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6952&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>cine &#124; Precisamos falar sobre Kevin</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 13:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Lionel Shriver]]></category>
		<category><![CDATA[Lynne Ramsay]]></category>
		<category><![CDATA[Precisamos falar sobre Kevin]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagino que, com os temas que aparecem nesta adaptação do livro de Lionel Shriver, seria possível pautar uma edição especial &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/23/cine-precisamos-falar-sobre-kevin/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6938&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6939" title="kevin" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/kevin.jpg?w=500&#038;h=301" alt="" width="500" height="301" /></p>
<p>Imagino que, com os temas que aparecem nesta adaptação do livro de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lionel_Shriver" target="_blank">Lionel Shriver</a>, seria possível pautar uma edição especial de um programa de tevê à la Oprah Winfrey. O título não é desonesto: o filme trata de assuntos importantes, urgentes, e sobre eles <em>precisamos falar</em>. Exemplo: o que fazer quando o seu filho não gosta de você? Ou: como lidar com as consequências da violência juvenil? Mais: até que ponto os pais são responsáveis pelos erros dos filhos? E: existiria algo inato no comportamento de crianças más?</p>
<p>Uau. Eu passaria uma tarde inteira conversando sobre cada um desses tópicos. Mas não sei se seria muito palpitante falar sobre o filme em si. Certamente, nesse caso, uma das questões em discussão seria, ahn, a forma como a diretora Lynne Ramsay cria uma narrativa entrecortada, que se deixa influenciar pelo estado mental confuso da personagem principal. Ou conversaríamos sobre o detalhismo da cineasta, que presta atenção aos detalhes das cenas (são muitos os closes, e eles provocam certa aflição), ao uso de cores (vermelho sobre vermelho, em repeat) e à composição ultradelicada da trilha sonora (que vai nos asfixiando sem que percebamos). São efeitos que compõem um drama potente — pelo menos nos primeiros 10 minutos de projeção.</p>
<p>Depois, lá pelo 15º minutos de filme, quando a trama vai se tornando clara ao público, notamos que os argumentos de Ramsay são fáceis demais. E argumentos simplórios, ainda que úteis a especiais de tevê, invalidam debates sérios sobre qualquer assunto. O defeito do filme, a meu ver, está na composição do personagem de Kevin — um menino-problema diabólico, sem nenhum traço de bondade. A atuação de Tilda Swinton é admirável — e talvez, por isso, estamos sempre torcendo por ela. A personagem que ela interpreta, a mãe atazanada pelo filho indesejado, carrega toda a culpa do mundo. Mas o filme não deixa margem para que duvidemos do caráter do garoto. Numa das cenas, ele joga videogame com a fúria de quem pisoteia um gatinho.</p>
<p>Sob a tutela de um Aronofsky, esse conflito entre mãe assustada e filho psicopata talvez rendesse um filme menos sisudo, mais kitsch e vibrante (resumindo: um <a href="http://www.imdb.com/find?q=cisne+negro&amp;s=all" target="_blank">Cisne Negro</a>). Em <em>Precisamos Falar sobre Kevin</em>, o tom é sempre o de uma palestra relevante, um artigo solene para acompanhar as <em>breaking news</em>: uma diretora competente usa uma série de recursos audiovisuais interessantes à serviço de personagens aplainados, planejados em excesso, que podem ser catalogados e, por isso, convertidos em temas para consumo rápido (em jornais/revistas semanais?). Não há mistério que resista a tanta simplificação.</p>
<p>(E notem que escrevi o post inteiro sem fazer referência a <a href="http://www.imdb.com/title/tt0363589/" target="_blank">Elefante</a> — me parabenizem na saída, ok?).</p>
<p><span style="color:#800000;">(We Need to Talk About Kevin, Reino Unido/EUA, 2011) De Lynne Ramsay. Com Tlda Swinton, John C. Reilly e Ezra Miller. 112min. <strong>C</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6938/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6938/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6938&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>top 100 &#124; Os filmes da minha vida (14)</title>
		<link>http://superoito.com/2012/01/22/top-100-os-filmes-da-minha-vida-14/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 22:15:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Até o fim do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Fome animal]]></category>
		<category><![CDATA[Os filmes da minha vida]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Jackson]]></category>
		<category><![CDATA[Ranking sentimental]]></category>
		<category><![CDATA[Top 100]]></category>
		<category><![CDATA[Wim Wenders]]></category>

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		<description><![CDATA[Cá estamos com mais um capítulo da saga heroica dos 100 filmes da minha vida. Desta vez, sem muito papo: &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/22/top-100-os-filmes-da-minha-vida-14/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6941&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cá estamos com mais um capítulo da saga heroica dos 100 filmes da minha vida. Desta vez, sem muito papo: são dois longas que, por coincidência, vi pela primeira vez na mesma época. E que não revejo há mais de 20 anos. Boa sorte com eles, então.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6942" title="until" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/until.jpg?w=500&#038;h=125" alt="" width="500" height="125" /></p>
<p style="text-align:center;"><strong>074</strong> | <a href="http://www.imdb.com/title/tt0101458/" target="_blank">Até o Fim do Mundo</a> | Until the End of the World | Wim Wenders | 1991</p>
<p>Não sei se acontece com todo muito que gosta de cinema, mas eu vivi sim, admito, a fase dos longas-metragens <em>muito longos. </em>Aconteceu por volta dos meus 11 anos, quando bateu uma fissura inexplicável por fitas duplas de VHS &#8211; lembro de alugado, de uma vez só, os três capítulos da série <em>O Poderoso Chefão</em>. Nesse período, assisti a este exagero<em> exageradíssimo</em> de Wim Wenders &#8211; um dos épicos mais delirantes (e desembestados,<em> mas essa é outra história</em>) de que tenho conhecimento. Coppola era um ídolo. Mas foi diante deste <em>road movie</em> apocalíptico &#8211; como que escrito durante um transe provocado por overdose de livros do Philip K. Dick &#8211; passei a admirar os cineastas que se permitiam filmar sem prudência, pateticamente <em>além da conta</em>. A fase dos<em> longas de mil páginas</em>, no entanto, não durou muito: hoje, não sei se teria paciência de cair nessa estrada novamente.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6944" title="braindead" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/braindead1.jpg?w=500&#038;h=125" alt="" width="500" height="125" /> <strong>073</strong> | <a href="http://www.imdb.com/title/tt0103873/" target="_blank">Fome Animal</a> | Braindead | Peter Jackson | 1992</p>
<p>Nenhum filme de Peter Jackson me entusiasmou tanto quanto esta comédia de terror &#8211; que, creio eu, fica ainda mais interessante quando vista imediatamente depois de qualquer episódio da série <a href="http://www.imdb.com/title/tt0120737/" target="_blank">O Senhor dos Anéis</a>. Já em 1992, o diretor parecia entender muito bem como usar efeitos visuais para definir o tom da narrativa. No caso, o excesso grosseiro de <em>gore</em> transforma cada cena num cartoon adolescente &#8211; surpreendendo, a cada virada de página, quem acredita ter finalmente identificado os limites do filme. Para um menino de 12 anos, fã de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0092991/" target="_blank">Evil Dead 2</a>, era o tipo de obra-prima que os adultos obviamente<em> jamais entenderiam</em>. Desde então, Jackson dirigiu alguns filmes de aventura &#8211; mas ainda nos deve um outro filme assim tão aventureiro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6941/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6941&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>♪ &#124; Baby &#124; Tribes</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 18:23:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Baby]]></category>
		<category><![CDATA[Tribes]]></category>

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		<description><![CDATA[A estreia do Tribes é, digamos, um grande álbum de rock para quem ainda se importa com grandes álbuns de &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/19/%e2%99%aa-baby-tribes/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6929&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-6930" title="tribescapa" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/tribescapa.jpg?w=500" alt=""   />A estreia do Tribes é, digamos, um grande álbum de rock para quem ainda se importa com grandes álbuns de rock. Não é uma plateia pequena: as multidões que se entusiasmaram com os mais recentes do Foo Fighters e de Florence + the Machine possivelmente vão receber este superdisco com muito carinho. Isso porque o objetivo deste quarteto de Camden, Londres, é deixar marcas numa calçada da fama que inclui ídolos como Oasis, Strokes, Libertines e Pixies. “Belas referências”, diria o coordenador do departamento de Recursos Humanos da gravadora Island, que os contratou em meio ao oba-oba anual do semanário <em>New Musical Express</em>. A banda, se tudo der certo, vai se mostrar competentíssima na <em>dying art</em> de vender discos: em <em>Baby</em>, posso detectar cinco singles fortes, sendo que um deles vampiriza muito alegremente uma das canções mais conhecidas do Pixies, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qrdpliMfoAM" target="_blank">Where is my Mind?</a></p>
<p>Voltemos a 1988, então. <em>Surfer Rosa</em>, o primeiro LP do Pixies, talvez não seja um dos mais bizarros dos anos 1980 — mas é, e deixe-me escolher uma palavra precisa, <em>rascante</em>. Até chegarmos à faixa de número cinco, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KTQmClWe5N4" target="_blank">Gigantic</a>, o álbum deixa a impressão de ter sido produzido durante um colapso nervoso de Frank Black (naquela época, ainda Black Francis). Nesse contexto, <em>Where is my Mind?</em> oferece um certo alívio: uma canção enlouquecedora, mas maquinada num formato pop. O contraste provocado pela simples disposição daquela faixa entre duas estranhezas (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=kdzoK5jwESM" target="_blank">River Euphrates</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SzoAKLUTNtc" target="_blank">Cactus</a>) era uma das graças do disco — que, obviamente, não é extraordinário apenas por causa desse detalhe.</p>
<p>Dito isso, bate um desânimo quando percebo a forma tolinha como o Tribes se apropria de uma faixa que, muito possivelmente, eles admiram tanto: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=52QHnUF13hs&amp;ob=av2e" target="_blank">We were Children</a>, além de não provocar nenhuma tensão dentro do disco, é apenas um single eficiente entre 10 outros. Os Pixies são tratados — e não pela primeira vez — como uma daquelas estampas bacanas que se gruda na mochila para impressionar quem entende mais de música que você. A faixa resume o que noto como o maior problema do disco: as referências (e inclua aí David Bowie, The Killers, Babyshambles, Arctic Monkeys, Girls) são tratadas como zonas de conforto (já testadas e aprovadas pelos jornalistas que vão elogiar o disco) — e, para não incomodar ninguém, despidas da força, das particularidades originais. É um remake que “funciona”.</p>
<p>Não sei ainda o que é o som do Tribes, e talvez nem eles saibam. Para a <a href="http://www.nme.com/reviews/tribes/12602" target="_blank">NME</a>, o choque de “suavidade e agressividade”, de “glam e grunge”, é uma característica a ser elogiada. Nos meus ouvidos, soa simplesmente como um caso de identidade indefinida: um disco nem tão suave, nem tão agressivo — mas estagnado num meio-termo economicamente viável (o tema do disco é: o desespero de uma gravadora europeia em tempo de crise econômica) —, nem isso, nem aquilo. Talvez tudo ao mesmo tempo. Eclético, digamos. Cheio de (repito) faixas imediatamente adoráveis (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=anVPXNnUkkk&amp;ob=av2e" target="_blank">Sappho</a>, por exemplo: que single para festinhas de rock! E <em>Bad Apple</em> soa tão dócil), mas que se instala num feixe oportunista e mecânico do rock inglês que me entedia profundamente.</p>
<p>Vai entrar em listas de melhores do ano? Acho que sim. E, depois, os chapas da banda vão desafrouxar gravatas e comemorar no happy hour da firma. <em>Well done</em>.</p>
<p><span style="color:#800000;">Primeiro disco do Tribes. 11 faixas, com produção de Mike Crossey. Lançamento Island Records. <strong>C</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6929/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6929/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6929&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>♪ &#124; Greater Lakes &#124; Bears</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 18:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bears]]></category>
		<category><![CDATA[Greater Lakes]]></category>

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		<description><![CDATA[A pequena gravadora Misra Records está muito orgulhosa com o terceiro disco do Bears. A satisfação é tamanha que, no &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/18/%e2%99%aa-greater-lakes-bears/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6925&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-6926" title="Bears-Greater_Lakes1-150x150" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/bears-greater_lakes1-150x150.jpg?w=500" alt=""   />A pequena gravadora <a href="http://misrarecords.com/" target="_blank">Misra Records</a> está muito orgulhosa com o terceiro disco do Bears. A satisfação é tamanha que, no site oficial, avisa que <em>Greater Lakes</em> talvez seja o MELHOR álbum <a href="http://misrarecords.com/bears-greater-lakes-album-art-by-kate-pugsley-the-finest-misra-album-art-ever/" target="_blank">de todo o catálogo do selo</a> (que inclui um punhado de bandas não muito conhecidas, além do Shearwater e do Wooden Wand). Admito que não está sendo fácil, meus amigos, resistir a essa alegria toda em torno de um disquinho tão simpático. Principalmente quando olho a foto de divulgação da banda, que é <a href="http://misrarecords.com/artists/bears/" target="_blank">esta aqui</a>.</p>
<p>Mas este é um blog sério (será?) e, por isso, não posso esconder a impressão de que — apesar da <a href="http://misrarecords.com/wp-content/uploads/2011/08/Bears-Greater_Lakes1.jpg" target="_blank">linda ilustração da capa</a> — este disco mostra uma banda que ainda está, como dizer sem soar ofensivo?, engatinhando, naquela fase ainda ingênua em que jovens artistas começam a descobrir um fio de personalidade que, talvez, num futuro distante-ou-próximo-nunca-se-sabe, vai resultar naquilo que chamamos de estilo. O milagre ainda não aconteceu, irmãos. Mas este disco nos dá razões para acreditar que talvez aconteça.</p>
<p>Por enquanto, os heróis dos chapas Craig Ramsey e Charlie McArthur, do Cleveland, aparecem todos na superfície das canções. Há duas ou três faixas em que o vocalista parece imitar Elliott Smith em torno de uma melodia coloridinha à la The Shins. Se fosse um pouco menos valente na escolha de timbres e na disposição de riffs amenos de guitarra, seria até fácil confundir este disco com o mais recente do <a href="http://superoito.com/2012/01/16/%E2%99%AA-the-stars-are-indifferent-to-astronomy-nada-surf/" target="_blank">Nada Surf</a>. Felizmente, não me parece tão coisa-alguma assim.</p>
<p><em>Greater Lakes</em> é um álbum gentil e com uma forte inclinação ao <em>power pop</em>, feito para uma certa plateia ultrasensível que talvez nem exista mais — no mais, quem quer ser chamado de <em>twee</em> em 2012? Uma das músicas atende por <em>Perfect Girl</em>, e é algo animado que o Jonas Brothers gravaria. Os sintetizadores estão sempre apitando notas graciosas.</p>
<p>Duas músicas, apesar de tudo, me deixaram cheio de expectativas pelos próximos álbuns do duo. A primeira (e melhor) é <em>Don’t Wait</em> — que, toda conduzida por teclados baratos, soa como um remix de Elliott Smith para estações de rádio AM e trilhas de motel. A outra, <em>I Can’t Make Things Right</em>, resume o romantismo adolescente do grupo de uma forma tão meiga e aparentemente sincera que… Talvez a gravadora esteja certa, <em>anyway</em>.</p>
<p><span style="color:#800000;">Terceiro disco do Bears. 11 faixas, com produção da própria banda. Lançamento Misra Records. <strong>C+</strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/superoito.wordpress.com/6925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/superoito.wordpress.com/6925/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6925&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>cine &#124; As Aventuras de Tintim</title>
		<link>http://superoito.com/2012/01/17/cine-as-aventuras-de-tintim/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 12:22:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Superoito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[As aventuras de Tintim]]></category>
		<category><![CDATA[Hergé]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Explicar um pouco sobre como descobri os quadrinhos de Tintim talvez nos ajude a entender por que me decepcionei com &#8230;<p><a href="http://superoito.com/2012/01/17/cine-as-aventuras-de-tintim/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=superoito.com&amp;blog=2042073&amp;post=6919&amp;subd=superoito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6920" title="tintin" src="http://superoito.files.wordpress.com/2012/01/tintin.jpg?w=500&#038;h=281" alt="" width="500" height="281" /></p>
<p>Explicar um pouco sobre como descobri os quadrinhos de Tintim talvez nos ajude a entender por que me decepcionei com esta adaptação de Steven Spielberg.</p>
<p>Vai se rápido, prometo.</p>
<p>Comecei a ler os livros do Hergé aos 12-13 anos, numa época em que eu ainda tentava me adaptar (sem sucesso) a uma adolescência solitária numa cidade nova, Brasília. Era uma fase de descontentamento e insatisfação — uma puberdade, por isso, muito típica. Eu não conseguia me identificar, talvez por me achar absolutamente especial, com nada que era muito popular. As HQs da Marvel e da DC, por exemplo, me pareciam todas aborrecidas.</p>
<p>Era com esse espírito <em>very snobbish</em>, de rebeldezinho sem causa que, na biblioteca da Cultura Inglesa, eu virava as páginas das edições britânicas daqueles livrões bonitos de capa dura. O que me atraía nas histórias de Tintim era o que eu não encontrava num gibi do, digamos, Capitão América: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Herg%C3%A9" target="_blank">Hergé</a> me parecia menos preocupado em descrever cenas de ação e mais em transmitir o deslumbre da descoberta, a ânsia pela aventura, o contato de um garoto incomum (porque nosso herói, no caso, compensava com inteligência o que faltava em tônus muscular) com ambientes desconhecidos. Tintim não era um investigador de polícia, não era um super-herói, não era um justiceiro — mas um jornalista movido pela curiosidade, apenas isso.</p>
<p>Não tenho motivo algum para duvidar que Steven Spielberg também viveu uma relação próxima com o personagem, ainda que, provavelmente, muito diferente daquela que eu criei. Diz-se que ele foi apresentado à ficção de Hergé ainda em 1981, quando um crítico de cinema comparou as criações do Belga ao enredo de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0082971/" target="_blank">Os Caçadores da Arca Perdida</a>. Spielberg notou semelhanças entre Tintim e Indiana Jones e, a partir daí, com aval de Hergé (que era fã do diretor), começou a desenvolver um projeto que só ficou pronto muito tempo depois, quando o diretor percebeu que a técnica de “performance capture” (filmes da animação que simulam a atuação de um elenco) seria uma forma possível de recriar no cinema as particularidades dos livros originais. O longa é produzido por Peter Jackson, outro cineasta que, sabemos, tem uma relação muito afetuosa e séria com os filmes de entretenimento.</p>
<p>O que (em tese) seria um projeto acima de suspeitas, engenhoso, impecável e tudo o mais — também pessoal, na mesma medida em que <a href="http://www.imdb.com/title/tt0499549/" target="_blank">Avatar</a> (que também só foi feito quando o desenvolvimento da tecnologia digital permitiu) o era — me parece, no entanto, um filme cuidadoso em excesso, que faz uma série de concessões burocráticas para vender um personagem atípico a um público típico.</p>
<p>É, apesar disso (e deixe-me tirar esse elefante da sala), uma aventura correta. Aposto que muitos dos detratores de <a href="http://superoito.com/2012/01/09/cine-cavalo-de-guerra/" target="_blank">Cavalo de Guerra</a> — o outro Spielberg da temporada, mais derramado e kitsch — vão encontrar o passatempo spielberguiano que procuravam: um action movie “para toda a família”, ágil, passável, tecnicamente irrepreensível (dá pra notar cada fio de cabelo dos personagens, deus!), com dois ou três momentos “de perder o fôlego”, que refaz graciosamente o que já foi refeito tantas vezes: é um, como o próprio diretor comentou, “Indiana Jones for kids”. Se eu trabalhasse num instituto de medição de qualidade de filmes comerciais, avaliaria este aqui como “satisfatório”.</p>
<p>O Tintim que eu conhecia, no entanto, não está presente. Spielberg, acho até que por estar tão próximo do personagem, se esquece de que é preciso apresentá-lo de uma forma sedutora ao público. O rapazinho me parece, em muitos momentos, um herói qualquer, às voltas com uma trama qualquer, enfrentando um vilão qualquer: o diretor faz referências a filmes como <em>Tubarão</em> e<em> Jurassic Park</em>, mas acredito que este filme foi programado para fãs de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0325980/" target="_blank">Piratas do Caribe</a>. O verniz “antiquado” não consegue esconder que o roteiro (coescrito por <a href="http://www.imdb.com/title/tt0425112/" target="_blank">Edgar Wright</a>, <em>cadê você</em>?) é uma escalada mecânica de <em>action sequences</em>, sem todas aquelas estranhezas e nerdices charmosas que me faziam chegar mais cedo nas aulas de inglês.</p>
<p>Ou, em resumo: é um Hergé para muitos, mas talvez não para mim.</p>
<p><span style="color:#800000;">(The Adventures of Tintin, EUA, 2011) De Steven Spielberg. Com Jamie Bell, Andy Serkis e Daniel Craig. 107min. <strong>C+</strong></span></p>
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